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NO SEXO DAS ALMAS
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ela mandara-lhe
um lenço de cambraia perfumado
com odor a sexo
há dias depois de terem feito amor
pelo teclado pedira-lhe
manda pelo correio o teu orgasmo
cheirou e era intenso
*
regurgitou da memória
a descrição que ela fazia da nudez
e de toda a excitação
que palavras cruas nuas obscenas
nos seus dedos em carícias
aos lábios vaginais provocavam
induzindo fogo no desejo
*
no lenço de cambraia
imaginava a fêmea dócil tão bela
cheirou provando o seu olfacto
a sentir emanações inconscientes
gemidos lascivos tesão
afectos contracções vertiginosas
tomando conta dos sentidos
*
haviam-se conhecido
por palavras escritas em segredo
desvendadas as carências
foram crescendo de louca paixão
até que um dia ela disse
vamos despir as palavras do medo
em letra grande como um soluço
*
e foram madrugada dentro
despindo peça a peça em esmerado erotismo
o beijo o toque nos mamilos
o clitóris estimulado nas palavras de veludo
o falo entumescido arremetendo
vem estou aberta à tua espera toda molhada
e ele ia consternado pelo goso
*
trocaram fotos de sorrisos
presentes e promessas de amor infindo
quiseram ouvir-se amaram
o tom suave as gargalhadas a doçura
surgiram amuos desencontros
que como amantes resolviam na aventura
de se conhecerem fornicando
*
um dia ele quis ir a seu encontro
e ela disse que não estava ainda preparada
correu como um possesso a ver se a via
mas por mais que a procurasse não a achava
as almas são volàteis os corpos mentem
ficou doente de amor e raiva morreu vencido
a sua alma ainda ama a alma dela
autor: apv


















